Diários de Cuba

Diários de Cuba

terça-feira, 29 de julho de 2014

Conheça Cuba por Seus Referenciais: comandante Camilo Cienfuegos

Este pequeno vídeo, com áudio e legendas em espanhol, traz o comandante Camilo Cienfuegos falando sobre o treinamento militar para a população de Cuba. Também neste fragmento, há as palavras de Che sobre o colega e o que ele representou par a revolução cubana. Este fragmento de vídeo faz parte do documentário "Cuba, caminos de revolución". Assistam e tirem suas próprias conclusões. Com a palavra, comandante Cienfuegos.





segunda-feira, 28 de julho de 2014

Conheça Che Guevara pelas Palavras de Salvador Allende

Este breve vídeo, com áudio e legendas em espanhol, retrata uma fala de Salvador Allende sobre o que Che Guevara representava para a contemporaneidade daquela época. Apreciem e tirem suas conclusões.


domingo, 27 de julho de 2014

Conheça Cuba por Seus Artistas: Tony Ávila (Regalao Murió en el 80) Tradução para o Português.

Caros leitores do Blog Diários de Cuba, publico aqui uma das músicas mais emblemáticas do compositor e artista cubano Tony Ávila. Chama-se "Regalao Murió en el 80" e trata do retrato histórico da crise e das dificuldades vivenciadas pelo povo cubano após a queda da União Soviética com a chegada dos anos 1990. Atrevi-me a traduzir a letra da música para o idioma Português e acredito que ficaram poucos erros. Apreciem a música, a história e espero que a tradução ajude. Com vocês, Tony Ávila



Regalao Murió en el 80
(Regalias morreram nos 80)
Compositor e Intérprete: Tony Ávila (Cuba)
Tradução livre de Diego Mendonça Viana, 2014

Nasci quando a safra dos milhões
Estava mais em baixa do que estrondosa
Acostumados com o campo socialista
De receber tudo em caminhões
Nasci quando os anos 1970 se anunciavam
Final da década prodigiosa
Quando a Nicarágua de Somoza
Da cana fazia acordos comerciais
Apesar de minha tela ser em preto e branco 
Desfruta de bonecos russos
Que era mais colorido que um guzo
Para ter uma carapuça nas ruas
E para que não perdas nenhum detalhe
Temos na rádio idioma russo.

E cedo me chegaram os anos 1980
Dando vivas ao meu vigésimo aniversário
Fazendo trabalhos voluntários
Tirando o sustento até a última gota
Como posso tirar de minha memória
Que comprava a roupa por cupons
Camisetas de binga e calças
Ficar surdo ao levar na Bilheteira

E o cartão de abastecimento
Ainda que mais gordinha nos anos 1980
Sobreviveu aos piores momentos
Que trouxeram as mudanças dos anos 1990
Por isso nunca vai se dar conta
Ao vivo não é o mesmo que eu digo
E sempre ninguém sai para se divertir
E sempre estivemos contra balseiros
E sempre se diferem pela fortuna
Como se difere o pensamento

Com o aquecimento do planeta
O buraco na camada de ozônio
A crise que se somou aos anos 1990
Piorou o que já estava grande
Apesar da dureza dos tempos
Não me importava nem com o rum
Só fui aquele negro contente
Que fez de suas tripas coração
Só fui aquele negro contente
Que fez de suas tripas este som

Refrão: As regalias morreram nos anos 1980
Em 80 morreram as regalias
Do que o cubano inventou em 1990
Inventamos uma potência rural

O que o cubano inventou nos 90
Não vão inventar, nem a NASA
Porque por muito que avance a ciência
Os cubanos lhe damos cada avanço teu

Não existe problema sem solução
Uma lavoura russa aplicando uma métrica
Uma secadora vira um ventilador

Quando a TV em cores
Se espalhou por toda Cuba
Houve gente que resolveu
E sua TV pintou com azul de metileno

Vieram os marcianos
Investigando minha raça
Que o cubano é o único humano
Que gosta de rir de sua desgraça


sábado, 26 de julho de 2014

Conheça a História por aqueles que a fizeram: debate entre Fidel Castro e Salvador Allende antes do golpe militar no Chile (editado)

Esta conversa foi realizada entre Fidel Castro e Salvador Allende antes do golpe militar no Chile. Em específico, este vídeo foi veiculado pela TV Pública da Argentina e os dois estadistas conversam cobre o contexto da América Latina, sobre o Capitalismo e sobre uma série de temas fundamentais. Não há legendas em Português, porém é perfeitamente possível compreender o diálogo no idioma espanhol. O vídeo possui cerca de 55 minutos. Assistam e tirem suas próprias conclusões. OBS: este post foi editado por problemas de exibição no vídeo.




Conheça a História de Lutas de Cuba Contadas por seu Povo: entrevista à Fidel Castro em 1976.

Neste breve entrevista, Fidel explica algumas histórias de luta em Cuba desde José Marti. Não há legendas no vídeo, porém a qualidade do áudio e o falar compassado de Fidel permite prefeita compreensão do conteúdo dito. Apreciem e tirem suas conclusões.


sábado, 19 de julho de 2014

Conheça Alguns Resultados da Cooperação entre Cuba e Brasil: O Programa Mais Médicos em alguns estados brasileiros

Embora eu tenha algumas severas críticas à estruturação do Programa Mais Médicos (PMM)* do Governo Federal Brasileiro, é importante destacar que o programa também possui avanços para a saúde pública brasileira. No PMM, há cooperação com médicos de diversos países e Cuba é um dos parceiros majoritários no intercâmbio entre profissionais de Medicina que trabalham nas zonas rurais mais distantes e nas periferias mais pobres das grande capitais brasileiras. Abaixo, segue uma matéria do portal de notícias G1 (vinculado à Rede Globo de Televisão, uma rede tipicamente conservadora e de direita brasileira na minha opinião) e esta notícia fala dos avanços do PMM no estado do Pará (região Norte) do Brasil. Leiam, apreciem e tirem suas conclusões.

*Para obter maiores informações sobre o Programa Mais Médicos, você pode acessar o seguinte link do Ministério da Saúde do Brasil: http://portalsaude.saude.gov.br/index.php/cidadao/acoes-e-programas/mais-medicos


28/06/2014 11h09 - Atualizado em 28/06/2014 11h09

Mais Médicos amplia em 25% as consultas e reduz internações no Pará
Programa 25,6% no número de atendimento a consultas, diz Ministério.
Sespa diz que tal atenção básica fez cair o número de internações.

Do G1 PA

Em menos de um ano, o Programa Mais Médicos aumentou em 25,6% no número de atendimento a consultas por demanda imediata nas unidades básicas de saúde no Pará, segundo levantamento do Ministério da Saúde. Em janeiro de 2014, foram contabilizadas 30.825 consultas no estado contra 24.550 no mesmo período do ano anterior, quando a população ainda não contava com o reforço dos profissionais do Mais Médicos.    

Os impactos do Programa no estado foram apresentados pelo Ministério da Saúde nesta sexta-feira (27), em Belém, durante o Seminário Mais Médicos para o Brasil, Mais Saúde para os Brasileiros. “Além dos números que nos transmitem resultados significativos, a população tem dito que está sendo bem cuidada, que agora consegue ir ao posto de saúde e encontrar uma equipe completa com a presença do médico. Esse o objetivo do Mais Médicos”, ressaltou Arthur Chioro.

Por meio do Programa, o estado do Pará ampliou em 586 o número de médicos atuando na atenção básica de 129 municípios e quatro distritos indígenas. O Ministério da Saúde atendeu 89,6% da demanda por médicos apontada pelos municípios e superou a meta inicialmente estabelecida. "Os gestores paraenses estão satisfeitos com o Programa Mais Médicos no Pará, porque já está havendo redução de internações", destacou o secretário de Estado de Saúde Pública, Helio Franco.

Esse é um dos vários seminários que estão sendo realizados pelo governo federal em todo país para debater com gestores públicos os primeiros impactos do Mais Médicos na assistência da população que vive nas cidades beneficiadas pela iniciativa.

Investimentos 

Durante o evento, o ministro da Saúde também anunciou aumento de R$ 19,8 milhões no valor anual do Teto de Média e Alta Complexidade para o estado. Ele explicou que os novos recursos serão disponibilizados a partir do mês de julho e deverão ser utilizados nos serviços de cirurgias eletivas, na Rede de Urgência, em laboratórios de próteses dentárias e em unidades de acolhimento infanto-juvenil.
No estado do Pará, além do crescimento de 25,6% no número de consultas por demanda imediata, observou-se aumento de 7,7% no número de consultas por demanda agendada (61.487 para 66.208). A quantidade de atendimentos a gestantes também aumentou 2,5%, passando de 24.578, em janeiro de 2013 para 25.197 em janeiro de 2014, indicando maior resolutividade na atenção básica.

Em todo o país, o número geral de consultas realizadas na Atenção Básica cresceu quase 35% no mesmo período – foram 5.972.908 em janeiro de 2014 contra 4.428.112 em janeiro de 2013. Entre esses atendimentos, teve destaque o de pessoas com DIABETESDescrição: http://isavingsapp-a.akamaihd.net/items/it/img/arrow-10x10.png, que aumentou cerca de 45% - passou de 587.535, em janeiro de 2013, para 849.751 em janeiro de 2014. Os atendimentos de pacientes com hipertensão arterial aumentaram em 5% no mesmo período, e as consultas de pré-natal, em 11%. O encaminhamento a hospitais diminuiu em 20%, passando de 20.170 para 15.969.

Atualmente mais de 14 mil profissionais do programa atuam em cerca de 4 mil cidades. A maioria (75%) dos médicos está em regiões de grande vulnerabilidade social, como o semiárido nordestino, periferia de grandes centros, municípios com IDHM baixo ou muito baixo e regiões com população quilombola, entre outros critérios de vulnerabilidade.



quarta-feira, 11 de junho de 2014

Conheça Cuba por Seus Artistas: Orishas cantando "El Kilo"

Este grupo já teve algumas músicas abordadas no Blog e hoje postamos a música "El Kilo" com muitos versos de crítica social sobre a realidade de Cuba e da sociedade em geral.  Abaixo, está o vídeo e a letra original com uma tradução livre do site brasileiro Vagalume (disponível em : http://www.vagalume.com.br/orishas/el-kilo-traducao.html). Com vocês, Orishas em ritmo e poesia crítica!



El Kilo
A mi estilo te canto mi negro
A mi estilo voy


Mentira no, tíralo, pásalo, písalo, asere oh
Se te olvidó, que el kilo no tiene
Vuelto no, asere oh

Entro mi flow, entro mi clan
Mi voz como jackie chan
Que es lo que dan
Mil cuentos mil promesas que enganchan
Yo sí, yo fuí, lo que te digo pipo
El dinerito es el gobierno quien lo roba chico
Habla tu, habla como si yo te fuera ajeno
Habla tu, habla política cochina vemos
Pero porque tu esperas
Si el que espera, desesperas verás
Así que juega buena por la acera verdadera

El invento es la bala trazante
Que utilizan todos los cuenteros
Los que dicen verdad no son tantos
Dime cuantos y donde los veo
Dime cuanto les costo llegar
Y si son buenos
No es por nada pero no dan ya nervios ni miedo
La mentira puede correr años
Tiene genios eso no lo niego
Recordando los tiempos de ataño
Solo puedo quitarme el sombrero
Lo que tengo es musicalidad viene de lejos
No es robado, ni copiado es más
Es heredado, es otra edad

Te lo advertí más de una vez
Que yo no entro en el juego
De pendencieros mentirosos
Y embusteros viejos
Para el que se atreve
Esta poniendo en juego su pellejo
Tremendo bla, bla, bla, tremendo guaguanco
Rumberito recoge al viejo que su tiempo
Ya ha pasado
Y ahora camina de lado embustero

A mi estilo te canto mi negro

La mentira no pasa, si no esperas
Desesperas y que
Ya te paso una vez, son dos
Si no lo ves
O Quilo
Com o meu estilo canto-te meu negro
Com o meu estilo vou
Com o meu estilo vou


Mentira não, tira-o, passa-o, esmaga-o, companheiro!
Se te esqueces que o el kilo
Não tem retorno não, companheiro!

Entrou o meu "flow", entrou o meu clãn
A minha vóz como o jackie chan
Que é o que dá
Mil histórias, mil promessas que se pegam
Eu sim, eu fui, o que te digo amigo
O dinheirinho é o governo que o rouba, camarada
Fala tu, fala! como se eu te fosse ver
Fala tu, fala! política corrupta vemos
Mas porque tu esperas, o que espera
Desespera verás
Por isso é melhor jogares limpo

A invenção é a bala certeira
Que utilizão todos os contadores de história
Os que falam a verdade não são muitos
Me diz quantos são e onde é que os vejo!
Me diz o quanto é que sofreram, e se são honestos
Não é por nada, mas já não dão
Nervos nem medo
A mentira pode correr anos
tem genios e isso não o nego
Recordando os tempos passados
Apenas posso tirar o chapéu
O que tenho é musicalidade, vem de longe
Não é roubada, nem copiada, mas sim
É herdada, é outra idade!

Eu te avisei mais de uma vez
que eu não entro no jogo
De canalhas mentirósos
e velhos aldrabões
Para o que se atreva
Está a por em jogo a sua péle
Tremendo blá, blá, blá
Tremendo guanguanco, rumberito
Avisa ao velho que o seu tempo já passou
E que agora caminha de lado, aldrabão

Com o meu estilo canto-te meu negro

A mentira não passa, se não espera
Desespera e depois?
Já te passou uma vez
São duas se não o vê!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Conheça Cuba por seus eventos Científicos: VIII Encuentro Internacional de Estudiantes de Psicología

Segue a convocatória de um evento interessante de Psicologia que ocorrerá em Cuba no mês de outubro de 2014:




La Facultad de Psicología de la Universidad de la Habana convoca a estudiantes de psicología y de ramas afines para participar en el VIII Encuentro Internacional de Estudiantes de Psicología, evento internacional a celebrarse en La Habana del 27 al 31 de octubre de 2014. El debate sobre la formación académica, la investigación y la práctica pre y profesional constituyen ejes fundamentales de estos encuentros. Se pretende dar continuidad a un espacio abierto a la reflexión sobre nuestra ciencia y su contribución a la salud y al bienestar humano, a una mejor calidad de vida y a la búsqueda de un mundo mejor en su diversidad.

Maiores informações no site: http://www.psicoencuentro.uh.cu/

Bom evento aos interessados!

sábado, 24 de maio de 2014

Dois médicos norte-americanos avaliam o sistema de saúde de Cuba

Reproduzo aqui a reportagem do blog brasileiro Viomundo: o que você não vê na mídia. Este blog é coordenado pelo jornalista brasileiro Luiz Carlos Azenha (Repórter da TV Record desde outubro de 2008, Luiz Carlos Azenha também é editor deste blog, um espaço dos movimentos sociais e de contraponto à mídia tradicional). O artigo, publicado originalmente em janeiro de 2013 no The New England Journal of Medicine, em questão foi elaborado por dois médicos dos Estados Unidos da América, depois de uma visita à Cuba. 

Eles apresentam um ponto de vista interessante, com suas críticas, ao Sistema Nacional de Saúde de Cuba e à diversos aspectos da sociedade cubana. Mais um ponto de vista, elaborado por profissionais da Medicina do país que mais nega assistência aos seus cidadãos: os Estados Unidos da América. Segue o texto e as imagens, espero que gostem e tirem suas próprias conclusões.

Dois médicos norte-americanos avaliam o sistema de saúde de Cuba

publicado em 30 de junho de 2013 às 23:31


Um Modelo Diferente – Atenção Médica em Cuba

Edward W. Campion, M.D., and Stephen Morrissey, Ph.D.


Para um visitante dos Estados Unidos, Cuba desorienta. Automóveis norte-americanos estão em todo lugar, mas todos datam dos anos 50. Nossos cartões bancários, cartões de crédito e telefones inteligentes não funcionam. O acesso à internet é praticamente inexistente. E o sistema de saúde também parece irreal. Há médicos demais.

Todo mundo tem um médico da família. Tudo é de graça, totalmente de graça — e não precisa de aprovação prévia ou de algum tipo de pagamento. Todo o sistema parece de cabeça para baixo. É tudo muito organizado e a prioridade absoluta é a prevenção. Embora Cuba tenha recursos econômicos limitados, seu sistema de saúde resolveu alguns problemas que o nosso [dos Estados Unidos] ainda nem enfrentou.
Médicos de família, junto com enfermeiras e outros profissionais de saúde, são os responsáveis por dar atendimento primário e serviços preventivos para seu grupo de pacientes — cerca de mil pacientes por médico em áreas urbanas.

Todo o cuidado é organizado no plano local e os pacientes e seus profissionais de saúde geralmente vivem na mesma comunidade. Os dados médicos em fichas de papel são simples e escritos à mão, parecidos com os que eram usados nos Estados Unidos 50 anos atrás. Mas o sistema é surpreendentemente rico em informação e focado na saúde da população.

Todos os pacientes são categorizados de acordo com o nível de risco de saúde, de I a IV. Fumantes, por exemplo, estão na categoria de risco II, e pacientes com doença pulmonar crônica, mas estável, ficam na categoria III.

As clínicas comunitárias informam regularmente ao distrito sobre quantos pacientes tem em cada categoria de risco e sobre o número de pacientes com doenças como a hipertensão (bem controlada ou não), diabetes, asma, assim como sobre o status de imunização, data do último teste de Papanicolau e casos de gravidez/cuidado pré-natal.

Todo paciente é visitado em casa uma vez por ano e aqueles com doenças crônicas recebem visitas mais frequentes. Quando necessário, os pacientes podem ser direcionados a policlínicas distritais para avaliação de especialistas, mas eles retornam para as equipes comunitárias para acompanhamento. Por exemplo, a equipe local é responsável por garantir que o paciente com tuberculose siga as recomendações sobre o regime antimicrobial e que faça os exames.

Visitas em casa e conversas com familiares são táticas comuns para fazer com que os pacientes sigam as recomendações médicas, não abandonem o tratamento e mesmo para evitar gravidez indesejada. Numa tentativa de evitar infecções como a dengue, a equipe de saúde local visita as casas para fazer inspeções e ensinar as pessoas sobre como se livrar da água parada.

Este sistema altamente estruturado, orientado para a prevenção, produziu resultados positivos. As taxas de vacinação de Cuba estão entre as mais altas do mundo.
A expectativa de vida de 78 anos de idade é virtualmente idêntica à dos Estados Unidos. A taxa de mortalidade infantil em Cuba caiu de 80 por mil nos anos 50 para menos de 5 por mil — menor que nos Estados Unidos, embora a taxa de mortalidade materna esteja bem acima daquela dos países desenvolvidos e na média para os países do Caribe.

Sem dúvida, os resultados são consequência de melhorias em nutrição e educação, determinantes sociais básicos para a saúde pública. A taxa de alfabetização de Cuba é de 99% e o ensino sobre saúde é parte do currículo obrigatório das escolas. Um recente programa nacional para promover a aceitação de homens que fazem sexo com homens foi desenhado para reduzir as taxas de doenças sexualmente transmissíveis e aumentar a aceitação e adesão aos tratamentos.

Os cigarros já não são oferecidos na cesta básica mensal e o número de fumantes decresceu, embora as equipes médicas locais digam que continua difícil convencer fumantes a deixar o vício. Os contraceptivos são gratuitos e fortemente encorajados. O aborto é legal, mas considerado um fracasso do trabalho de prevenção.

Não se deve romantizar o sistema de saúde cubano. O sistema não é desenhado para escolha do consumidor ou iniciativas individuais. Não existe sistema de saúde privado pago como alternativa. Os médicos recebem benefícios do governo como moradia e alimentação, mas o salário é de apenas 20 dólares por mês. A educação é gratuita e eles são respeitados, mas é improvável que obtenham riqueza pessoal.

Cuba é um país em que 80% dos cidadãos trabalham para o governo e o governo é quem gerencia orçamentos. Nas clínicas de saúde comunitárias, placas informam aos pacientes quanto o sistema custa ao Estado, mas não há forças de mercado para promover eficiência.

Os recursos são limitados, como descobrimos ao ter contato com médicos e profissionais de saúde cubanos como parte de um grupo de editores-visitantes dos Estados Unidos. Um nefrologista de Cienfuegos, a 240 quilômetros de Havana, tem uma lista de 77 pacientes em diálise na província, o que em termos de população dá 40% da taxa dos Estados Unidos — similar ao que era nos Estados Unidos em 1985.

Um neurologista nos informou que seu hospital só recebeu um CT scanner doze anos atrás. Estudantes norte-americanos de universidades médicas cubanas dizem que o trabalho nas salas de cirurgia é rápido e eficiente, mas com pouca tecnologia. Acesso à informação via internet é mínimo. Um estudante informou que tem 30 minutos por semana de acesso discado.

Esta limitação, como muitas outras dificuldades de recursos que afetam o progresso, é atribuída ao embargo econômico dos Estados Unidos [imposto em 1960], mas podem existir outras forças no governo central trabalhando contra a comunicação fácil e rápida entre cubanos e os Estados Unidos.

Como resultado do estrito embargo econômico, Cuba desenvolveu sua própria indústria farmacêutica e agora fabrica a maior parte das drogas de sua farmacopeia básica, mas também alimenta uma indústria de exportação. Recursos foram investidos no desenvolvimento de expertise em biotecnologia, em busca de tornar Cuba competitiva no setor com os países avançados.

Existem jornais médicos acadêmicos em todas as especialidades e a liderança médica encoraja fortemente a pesquisa, a publicação e o fortalecimento de relações com outros países latino-americanos. As universidades médicas de Cuba, agora 22, continuam focadas em atendimento primário, com medicina familiar exigida como primeira residência de todos os formandos, embora Cuba já tenha hoje o dobro dos médicos per capita que os Estados Unidos.

Muitos dos médicos cubanos trabalham fora do país, como voluntários num programa de dois anos ou mais, pelo qual recebem compensação especial. Em 2008, havia 37 mil profissionais de saúde cubanos trabalhando em 70 paises do mundo. A maioria trabalha em áreas carentes, como parte da ajuda externa de Cuba, mas alguns estão em áreas mais desenvolvidas e seu trabalho traz benefício financeiro para o governo cubano (por exemplo, subsídios de petróleo da Venezuela).

Todo visitante pode ver que Cuba continua distante de ser um país desenvolvido em infraestrutura básica, como estradas, moradias e saneamento. Ainda assim, os cubanos começam a enfrentar os mesmos problemas de saúde de países desenvolvidos, com taxas crescentes de doenças coronárias, obesidade e uma população que envelhece (11,7% dos cubanos tem 65 anos de idade ou mais).

O seu incomum sistema de saúde enfrenta estes problemas com estratégias que evoluíram da peculiar história política e econômica de Cuba, um sistema que — com médicos para todos, foco em prevenção e atenção à saúde comunitária — pode informar progresso também para outros países.

Tradução Viomundo

Fonte: http://www.viomundo.com.br/politica/dois-medicos-norte-americanos-avaliam-o-sistema-de-saude-de-cuba.html


terça-feira, 13 de maio de 2014

Conheça o Sistema Único de Saúde de Forma Didática e Clara


Este vídeo foi produzido pelos estudantes do curso de graduação em licenciatura em Biologia da Universidade Federal de Goiás (Brasil) e explica de forma simples, objetiva e clara a que se propõe o Sistema Único de Saúde (SUS( do Brasil. Aproveitem!